4 de julho de 2015

Opinião Young-Adult: "Rooftoppers - Os vagabundos dos telhados" de Katherine Rundell




Começo por dizer que este livro não é bem young-adult, visto que as personagens principais têm menos de 16 anos mas como é uma faixa etária e um género (middle grade/infanto-juvenil) que não tem aqui grande destaque no blog, resolvi inseri-lo na categoria mais próxima.

Em "Rooftoppers" temos a estória de Sophie, uma menina que é acolhida por Charles quando ainda é bebé. Sempre soube que Charles não era o seu pai biológico e sempre teve convicta que a sua mãe verdadeira estava viva.

Charles é uma personagem um pouco excêntrica e a educação que Sophie recebe, reflecte o seu estilo de vida. Não é a educação mais correcta, mas torna Sophie extremamente inteligente, astuta e madura. Pode não saber a tabuada inteira, mas aos 12 anos já lê Shakespeare. Esta educação pouco convencional alerta as autoridades de Londres, que tentam tirar Sophie do seu lar adoptivo e é aqui que temos o ponto de partida do livro, com a fuga dos dois para Paris, à procura da mãe biológica de Sophie. 

Rooftoppers - Os Vagabundos dos TelhadosUm dos pontos altos do livro é a relação entre Charles e Sophie. Mesmo não sendo pai e filha verdadeiros, é maravilhoso ir vendo a infância de Sophie e a forma como Charles cuida da menina como se fosse do seu sangue. A autora foi muito inteligente ao modelar as personagens, tornando-o este duo único, aos olhos do leitor. É impossível não sentir uma ternura e doçura quando ambas interagem.

Em Paris - e justificando o título do livro - Sophie conhece Matteo, um rapaz que anda pelos telhados da capital francesa e que será o parceiro de Sophie na procura pela mãe.

Dizer mais do que isto, implica que faça algum spoiler porque a verdade é que existe muito pouco a acrescentar. Alguns leitores podem achar que o livro é básico, e não estão longe de estarem errados. Em termos narrativos, a estória que enche as páginas de "Rooftoppers" carece de desenvolvimento e o leitor mais exigente poderá sentir-se decepcionado com o progresso do livro, que acaba por não ir muito além do objectivo principal. 

Existem livros que por vezes têm páginas a mais e com conteúdo que não acrescenta nada ao livro. "Rooftoppers" sofre disso mas no inverso. Na minha opinião eram necessárias mais umas 50 páginas mas no entanto não me senti desiludida com o final corrido e pouco desenvolvido, devido à simplicidade e beleza da escrita da autora, que nos prende logo nas primeiras páginas e por fim à mensagem que o livro transmite: que a esperança é realmente a última a morrer.
Ainda referente às personagens, Matteo é outra personagem peculiar e que consegue ter o seu destaque no livro, o que poderia ser difícil visto que grande parte do mesmo é centrado apenas em Charles e Sophie, e uma introdução tardia poderia não ser tão eficaz. mas a autora conseguiu balançar a ausência de Charles com a presença de Matteo. 

"Rooftoppers" é um diamante na literatura infanto-juvenil que merecia apenas um pouco mais de polimento. Contudo volto a referir que a escrita sensível e emotiva de Rundell podem tornar este livro num clássico, daqui a alguns anos.
Não deixo de elogiar a tradução, mesmo não tendo uma cópia original para tecer comparações, é notável o bom trabalho realizado pela tradutora. 

Por fim, parece que a Katherine Rundell será uma aposta contínua da Individual Editora e a julgar pela capa e sinopse do seu próximo livro, tem aqui uma leitora fiel. Fico à espera do próximo livro.

Sophie é resgatada por Charles Maxim das águas do Canal da Mancha, após o barco em que viajava ter sofrido um naufrágio. Sozinha no mundo, a criança não terá mais de um ano e fica a viver em Londres sob a tutela provisória de Charles, que a ama e educa como uma filha de verdade. Sophie cresce na esperança de vir encontrar a mãe, perdida no naufrágio. Mas cresce também num misto de felicidade e angústia, pelo receio de um dia ser forçada a ir para um orfanato.
E é naquela esperança, que no amor funde a irracionalidade da crença com a audácia e a astúcia da vontade, que chegado esse dia, Charles e Sophie decidem que há só uma saída: fugir de Londres e ir para Paris, à “caça” da mãe.
É aqui que Sophie conhece os vagabundos dos telhados e os torna cúmplices leais da sua aventura. É uma história de amor e de afetos, de laços de amizade e cumplicidade, de medos, angústias, sacrifícios, de hesitações e coragem, de argúcia e destreza. Dá voz aos mais pequenos e aos ignorados e marginalizados da sociedade. Os atos mais simples são os mais generosos, e a bondade é uma virtude relembrada a cada som que a música, sempre a música de um violoncelo, vai ecoando ao longo das páginas, por cima dos telhados.
E é uma história sobre a mãe. E sobre a filha. E sobre um homem que, não sendo pai, foi o melhor pai de sempre.

2 comentários:

  1. Inicialmente quando soube do livro não estava nada interessada, mas após esta resenha surgiu um "poucochinho" de curiosidade :)
    Beijinhos
    www.fofocas-literarias.blogspot.pt

    ResponderEliminar

Dar feedback a um post sabe melhor que morangos com natas e topping de chocolate!