Notam alguma diferença no globo de neve? :P
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Quando li as últimas linhas da sinopse sabia que tinha de ler este livro imediatamente. E que bem que o fiz! "A menina que fazia nevar" tornou-se um livro delicioso de se ler, em parte porque concordo em tudo com a crítica que a autora faz à religião. Eu podia ter escrito este livro, se tivesse as palavras mágicas e a prosa fluída de Grace Mcleen.

Embora seja um livro sobre religião (e não religioso, na minha opinião é diferente) eu como ateia ia pouco convicta sobre a obra que se apresentava e se calhar tenho outro ponto de vista mas aqui no meu ver não se valoriza a fé e a igreja, pelo contrário, a autora só mostra como aqueles que dependem a sua vida em Deus acabam por não ter vida própria, pois tudo o que são, são submissos, uma submissão de uma fé cega que por vezes não os leva a lado nenhum, a não ser à solidão. É basicamente isto que a autora nos mostra ao longo das trezentas páginas deste livrinho. Claro que criei imensa empatia com o livro porque é algo que subscrevo. Sou uma pessoa ateia, com muito pouca fé em alguma coisa e apesar de respeitar as religiões e crenças dos outros, digamos que pessoas intensamente religiosas e que acreditam que a sua vida gira à volta de Deus, não são compatíveis comigo. A autora mostra tão bem como é tão pouco saudável levar uma vida centrada na religião, mostra as consequências que se sofre quando se dedica apenas a crenças religiosas, deixando o mundo real de parte.
Um dos grandes pontos do livro são os milagres. Bem eu aqui sou muito céptica quando a este assunto. Aos que chamam milagre eu gosto de chamar destino ou sorte. Foi bastante interessante como a autora mostrou o que entendem por milagre, precisamente porque quem o pratica, quem tem a força e o poder de o concretizar - será Deus? Seremos nós mesmos? - é uma das inúmeras questões que a autora vai colocando, sendo a principal aquela que não nos é dada resposta no fim do livro - se a voz que Judith ouvia era realmente de Deus - feito vilão no livro - ou se era um distúrbio psicológico que combatia a religião a mais que sempre lhe foi incutida e que ela não conseguia lutar contra. A dúvida paira no ar desde as primeiras palavras trocadas entre Judith e Deus e sinceramente, tive receio que a criança ficasse ainda pior do que já era. Judith era especial à sua maneira mas comparada com outras, é estranha e influenciável, como qualquer criança de dez anos, o é. A relação dela com o pai, perturbou-me um pouco, especialmente a forma como ele a educava mas fiquei feliz pelo final que a autora lhe deu. Foi interessante a evolução desta personagem, ver como tinha perdido a fé de ter fé. Um ponto bastante interessante na narrativa.
Não acho que seja um livro tocante, no sentido de emocionar e comover o leitor. A narrativa é brilhante, fala de temas difíceis e actuais mas a autora optou por construir uma narrativa que incita à reflexão e ao pensamento do leitor, pois sendo um tema tão subjectivo e pessoal, as interpretações sobre a estória da pequena menina que fez nevar podem ser as mais variadas.
Aconselho o livro a todos, crentes e não crentes, cépticos e religiosos.
Sinopse
A Sair do Forno
Título Original: The Land of decoration
Edição: Janeiro 2014
ISBN:9789722351836
Como já tínhamos anunciado na nossa página do facebook, em Janeiro sai A menina que fazia nevar:
Judith McPherson é uma menina de dez anos que vive com o pai numa pequena cidade do Reino Unido. Mas entre o bullying a que é sujeita na escola e a relação distante que o pai, um homem de grande fervor religioso, tem com ela, os seus dias são bastante solitários e sombrios.
No mundo em miniatura que construiu no seu quarto que consegue encontrar algum consolo. Chama-lhe a Terra de Leite e Mel e construiu-o sobre os alicerces da fé e do encantamento. A Menina Que Fazia Nevar é uma reflexão perspicaz sobre a natureza poderosa da fé e o perigo dos fundamentalismos religiosos, e um hino à força da imaginação e do amor.
A nevar nas livrarias dia 9 de Janeiro