O que mais gostei da obra de María Pilar foi a maneira como esta nos
conta a história de Isabel de Aragão, de uma forma bastante confortável e
lenta, sem muitos floreados ou complicações. Não tem a categoria ou
qualidade dos livros de Isabel Stilwell, que são do mesmo género, mas
também não tem muitas falhas.

Gostei também bastante das referencias a D. Inês e D. Pedro, tal com a Coimbra e à Quinta das Lágrimas.
Tal como muitas outras rainhas, foi bastante interessante conhecer a sua
história contada aqui na primeira pessoa, mas como confissao, o que
corresponde ainda melhor à personalidade desta rainha santa.
Gostei tambem desta historia ser enquadrada em dois Passados diferentes,
o que deu um toque de originalidade ou de diferenciação para com as
outras obras deste genero.
Em termos de escrita apenas tenho a apontar a simplicidade que a
caracteriza, mas que acaba por ser um ponto positivo face à sua leveza e
fluidez de leitura.
Quase no final, quando Isabel de Aragão se refere à parte da paixão do
seu neto D.Pedro, D. Inês, ela conta a história de maneira ligeiramente
diferente da que conhecia, tal como da cena das rosas. Aqui María Pilar
deixa muito em aberto este acontecimento tão importado e que nós
esperamos tão anciosamente. Assim a escritora resguarda-se um pouco
deste momento. Pessoalmente fiquei um pouco desiludida, já para não
falar de confusa, já que nesta parte a personagem refere que não sabe se
foi um sonho ou não. Ou seja, ficamos na mesma...
De resto e no geral, gostei bastante e estou ansiosa para ler o próximo.

Frei Ramón de Alquézar, homem rijo e determinado, não levava mais do que
uns pertences pessoais, um par de livros de orações e o precioso
manuscrito de capa de couro que guardava com a sua vida nesta viagem até
Roma. Por ele tinha abandonado o Convento de Olivar perto de Saragoça e
quebrado os seus votos conventuais. O seu objectivo era levar este
manuscrito ao Papa Urbano VIII e deixar provado que Isabel de Aragão,
rainha de Portugal, merecia subir aos altares e ser considerada santa
pela Igreja Católica. Através das páginas deste precioso manuscrito
escrito pela mão da própria rainha, ficamos a conhecer a vida desta
mulher que nasceu infanta de Aragão, no frio e inóspito mês de Fevereiro
de 1271, em Espanha. Mas ficou para a História como Rainha Santa Isabel
de Portugal, mulher de D. Dinis, mãe do futuro rei D. Afonso IV.
Romance da Rainha, tornada santa, mas também da mulher que assistiu às
constantes traições do marido, homem de muitas amantes e visitante
habitual do Convento de Odivelas, e que deixou a seu cuidado muitos
filhos bastardos para educar e cuidar. Culta, energética e corajosa,
Isabel dedicou-se com humildade e piedade ao auxiliar os doentes e os
mais necessitados, fundando ou patrocinando igrejas, mosteiros,
hospitais e asilos. Quando termina de ler a última página do manuscrito,
o Papa Urbano VIII está verdadeiramente enfeitiçado pela vida de Isabel
de Portugal.
Título Original -
Edição - 2009
ISBN - 9789896261443