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Um trabalho de cores. Qual preferem?



Azul ou verde? Árvores secas ou pássaros? É à escolha do freguês.


O livro de Cayla Kluver tinha tudo exteriormente para ser um bom livro.
A capa é bastante chamativa e a sinopse complementou-a, mas ao ler a idade com que ela escreveu já devia ter adivinhado. Não digo que a idade tem alguma coisa a ver, mas pela minha experiência como leitora a percentagem de livros ainda muitos verdes, com muito por explorar ou com muito para cortar correspondem a escritores mais jovens.
Neste caso, o facto de ser literatura traduzida até devia ter contribuído para o melhoramento, mas ainda encontrei alguns pontos e características que não o tiveram.
Apesar de relevante, o texto em azul deu um toque diferente ao livro. Confesso que passados alguns capítulos ou consoante a luz essa cor vai-se desvanecendo e até já nos parece preta, mas mesmo assim acho importante apontá-lo como ponto positivo, ou no minimo neutro.
Achei que a escritora se perde muito em pormenores, descrevendo cansativamente do inicio ao fim, cada personagem, desde as principais às secundárias ou até figurantes, desde o número, às cores, etc; cada cenário, principalmente quartos; a maior parte destes não tendo qualquer relevância ou importância tanto para a cena como até para o livro. Tudo isto acabou por tornar o livro cansativo e desinteressante.
Achei também os diálogos e as acções um pouco infantis, e muitas vezes até errados. Como por exemplo, quando Alera entrega London ao pai acusando-o de traição, mas depois anda a chorar pelos cantos e cheia de pensamentos melodramáticos como se ele é que a tivesse abandonado. Acho que muitas vezes a escritora transmite ideias erradas ao tentar transparecer demasiadas emoções, que além de exageradas provocam esta confusão de sentimentos e relações. Para além de denegrirem a imagem/personalidade da personagem principal, que, pelo que percebi, devia criar tanto empatia com o leitor como ser a heroína, acabando por ser, a meu ver, infantil e mimada.
Outras ideias confusas que a escritora transmite, para além de factos contraditórios, apresentam-se nos em casos como: no inicio o reino está em paz, mas a personagem sublinha e refere-se inúmeras vezes ao número elevado de guardas.
A pontuação e a falta de algumas letras também não contribuíram para melhorar a minha opinião.
De uma maneira geral este livro tem um pouco de ficção e de romance histórico, em que Cayla Kluver só apresenta de fictício (se não mudou apenas os nomes aos locais) o reino em que Alera vive. Tanto as tradições, como os costumes, os cenários, o vestuário, tudo é bastante real e descrito em livros de histórias, por isso a originalidade não está definitivamente presente. Além disso, e aqui estou incerta quanto à responsabilidade ser da escritora ou da tradutora, o facto das personagens sem nenhuma excepção se tratarem por "tu". Isto é sobremaneira estranho visto que a história se passa num reino, com reis, comandantes, etc, ou seja com uma hierarquia tão marcada deveria haver outro tipo de linguagem e respeito.
Concluindo, Alera - A Princesa Herdeira foi sem dúvida uma desilusão e ainda me espanta o facto de haver continuação.

Uma violenta rivalidade entre dois reinos ameaça evoluir para um estado de guerra. No meio deste conflito, uma princesa voluntariosa encontra-se dividida entre o dever e o desejo.
Obrigada a casar com o homem que o pai escolheu para lhe suceder no trono, a jovem princesa Alera de Hytanica vê-se forçada a enveredar pelo pior dos destinos, o casamento com o arrogante e colérico Steldor. Quando o misterioso e sedutor Narian chega a Hytanica, vindo do território inimigo trazendo segredos e noções inconcebíveis acerca do papel das mulheres na sociedade, os desejos de Alera põem em causa o futuro do reino.
A descoberta do terrível passado de Narian mergulha Alera num mundo obscuro de intrigas palacianas e conflitos pretéritos, a ponto de não saber em que acreditar, nem em quem confiar.
Alera - A Princesa Herdeira, primeiro volume de uma trilogia, é o primeiro romance de Cayla Kluver e foi escrito aos 16 anos.
Marcado por diálogos cortantes e por uma complexidade dramática que espanta numa autora tão jovem, esta obra, que se lê de um fôlego, repensa as velhas questões do dever e do património familiar, apresentando-nos uma jovem heroína em busca da sua voz pessoal.

Legacy (Legacy, #1)


Título Original - Legacy
Edição - Abril 2011
ISBN - 9789896571870




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