Andrea Cremer,

Opinião Young-Adult: "Invisível" de Andrea Cremer e David Levithan

dezembro 23, 2014 Mafi 0 Comments


Escrito a duas mãos, Invisível até podia ter saído um desastre mas felizmente aguentou-se contra tudo o que poderia fazer deste livro o tal desastre: dois autores a escreverem, tornando-o confuso e uma premissa que podia dar muito para o torto se tivesse demasiadas pontas soltas. 

A estória parecia demasiado simples ao princípio. Elizabeth consegue ver Stephen, um rapaz que é invisível a toda a gente, menos à sua nova vizinha. Claro que esta estranheza torna-se em amizade que torna-se em amor mas depressa segredos são revelados e um mundo sobrenatural e paralelo é descoberto. Não é feitiçaria nem é magia, como explica no livro, é outra coisa. Temos maldições, conjuradores e encantamentos. E um desses encantamentos rebateu-se sobre Stephen tornando invisível aos olhos de todos.

Todas as maldições são perigosas e têm o seu fascínio e a do nosso protagonista teria de ser a mais perigosa de todas. Uma madição que assume vida e vontade própria, que gera o seu próprio poder. É isto que Stephen, Elizabeth e o irmão desta - Laurie - juntamente com outros amigos irão descobrir, perante uma Nova Iorque impassível a este cenário maléfico. O mundo colorido de Times Square, da cidade que nunca dorme é escurecido por tons de vingança de um homem, Marxwell Arbus. Arbus é avô de de Stephen e aquele que lhe impôs a maldição. Uma espécie de Voldemort, criando um mundo cheio de vontades feias que só alguns - poucos - conseguem ver. Como a nossa protagonista, Elizabeth. Ela é uma rastreadora, consegue encontrar maldições de todos os formatos e tamanhos, das mais ridículas (como por exemplo, alguém nunca conseguir apanhar um táxi) até às mais assustadoras. O seu objectivo, depois de descobrir este seu dom, é extrair estas maldições, especialmente a de Stephen e torná-lo visível a todos, que isto de ter um namorado que ninguém mais vê, não dá muito jeito.

A narrativa do livro é bastante decente, começa bem ao introduzir as personagens e mesmo quando começa a desvendar o caminho que o livro vai seguir, os autores conseguiram segurar bem a trama. Fizeram bem em não complicar demasiado este mundo com muitos seres mágicos, havendo apenas duas categorias e tudo se basear à volta de maldições. Não é explicado muito bem como estas maldições eram passadas, na geralidade, visto que a de Stephen é bem explicada e isso é que interessa. 

As duas personagens principais são muito fofas e gostei imenso da interacção entre eles e do romance em si. As cenas iniciais em que se conhecem são ternurentas e as finais são de deixar o coraçãozinho apertado, pois não era o final que todos queríamos, mas é o final mais real. 

Embora goste imenso do trabalho dos autores do livro, não fiquei fascinada por ter sido escrito a duas vozes, por vezes ficava confusa quem estava a narrar o capítulo, visto que não há qualquer indicação do ponto de vista do narrador. Apesar do world-building ser uma parte importante do livro, acho que os sentimentos e as emoções são o que mais se realça desta obra. De como queremos ajudar tanto uma pessoa mas sermos impotentes de mudar algo, ou simplesmente não conseguirmos e termos de aceitar que a vida é mesmo assim. Gostei do livro e recomendo!

Sinopse:
Stephen passou a vida do lado de fora, olhando para dentro. Amaldiçoado desde o nascimento, ele é invisível. Não apenas para si mesmo, mas para todos. Não sabe como é seu próprio rosto. Ele vaga por Nova York, em um esforço contínuo para não desaparecer completamente. Mas um milagre acontece, e ele se chama Elizabeth. 

Recém-chegada à cidade, a garota procura exatamente o que Stephen mais odeia. A possibilidade de passar despercebida, depois de sofrer com a rejeição dos amigos à orientação sexual do irmão. Perdida em pensamentos, Elizabeth não entende por que seu vizinho de apartamento não mexe um dedo quando ela derruba uma sacola de compras no chão. E Stephen não acredita no que está acontecendo... Ela o vê!

InvisibilityTítulo Original: Invisibility
Edição: 2014


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