4 de setembro de 2016

Opinião Contemporânea/Erótica: "Promete-me" de C.M. Cruz



Para quem não leu o meu Ponto de Situação desta obra nacional, referi que desde o início que gostei da escrita de C.M.Cruz. Tenho que voltar a "bater no ceguinho", quando falo nos constantes erros de ortografia porque foi esta versão que li e é esta versão que precisa de mais uma ou duas revisões. Entretanto a autora já nos informou que já houve nova revisão e também nova capa. O que é óptimo. Este romance precisa só mesmo de umas limadelas e fica no ponto.
Um romance obscuro, com elementos ásperos, tais como linguagem forte, violência e conteúdo sexual forte.
Concordo perfeitamente com esta frase.
É sim um romance erótico muito intenso, com descrições que nos deixam mais sensíveis e bastante empáticas. Esta dose mais obscura não é facilmente encontrada nos livros que leio, já que o tema me causa bastante constrangimento e emoções mais revoltadas, mas aqui acaba por enriquecer bastante tudo o resto.
Não pensem que sou sádica, mas continuo a achar que as cenas mais intensas e cruéis poderiam ter sido muito mais desenvolvidas. Não querendo fazer spoiler, a primeira cena surpreendeu-me pela negativa já que a personagem reagiu de forma demasiado suave e quase receptiva em relação à tortura. Colocando-me no lugar dela (hipoteticamente claro) a minha reacção teria sido muito mais reactiva, de revolta e de bastante repulsa. Aqui não senti muito esta última o que retira um pouco o realismo e até intensidade à acção. As cenas de clausura já são melhores, principalmente com a morte de uma delas (já estou a contar muito?). Esta cena foi uma das melhores para mim.
Uma das últimas cenas que envolve água (eu aqui a tentar não dar muitas pistas) também teria sido a minha preferida se não fosse pelo que referi atrás. Aqui já passaram alguns anos e existe outra experiência e por isso acaba por amenizar.
Mas a melhor cena foi sem dúvida o final. Aqui a carta foi muito bem jogada para nos ficarmos a remoer pelo que acontece a seguir. Sinceramente não estava à espera apesar da autora ter dado várias pistas. Mas aqui o meu "copo cheio" sempre pensou que não iria acontecer. Seria demasiado mau. E não é que me enganei? Eheh, excelente! Resultou às mil maravilhas.
Outro ponto que falei foi da "infantilidade" de Elizabeth e da sua companheira de quarto. Ao longo do livro ou já estava distraída com outras coisas ou não reparei que esta questão se repetisse. O que é bom, pois a história vai-se tornando cada vez mais fluída e agarra-nos bastante.
O "Hoje e Sempre" que nos aparece nesta capa é um dos ingredientes para a parte mais romântica e lamechas da história. Digamos que é o componente doce no meio de muitas coisas amargas, o que contribui para algo tipo ying e yang tornando tudo mais harmonioso. Alec tem tanto um papel importante aqui como no último capítulo e sem dúvida que é um espécime bastante... hum... bem escolhido.
As cenas familiares também me pareceram um pouco "verdes" e que não me encantaram grandemente, principalmente quando parece haver ali uma cena que força Elizabeth a contar a Alec. Esperava algo mais privado, mais emotivo ou não. A reacção de Alec foi a esperada e ainda bem.
A reacção de Elizabeth em relação a Alec quando se tornam mais íntimos é que não foi o que estava à espera, visto que sendo ela uma vítima de abusos a intimidade não devia ser assim tão... fluída (!). Estava à espera de uma cena mais constrangedora e até que não se concluísse devido ao que ela passou e ao que aquele acto a faria lembrar-se. Por muito que ela quisesse substituir essa memória algo que deixou marcas tão profundas não seria substituído assim tão facilmente.
Adorei os amigos de Alec! Gosto sempre quando algumas das personagens secundárias são mais caricatas e contribuem com humor para uma história, mesmo quando a base desta é tão isenta deste sentimento.
Fiquei, então, cheia de curiosidade em relação à "pequena" e à "grande". O que aconteceu a uma e o que vai acontecer a outra?
Não posso de deixar aqui os meus parabéns a C.M. Cruz porque ela fez renascer as minhas expectativas em relação à escrita e aos livros portugueses principalmente da Chiado Editora. Também queria agradecer por nos ter contactado e nos ter dado a oportunidade de ler a sua obra.

Elizabeth Collins tinha tudo o que sempre sonhou. O emprego para o qual estudou, uma família que a adorava e um namorado que a amava.Foi com o pensamento de um futuro promissor, que o mundo da Beth desabou aos seus pés. Ela foi raptada, torturada e violada por 7 longos anos. Levada para um mundo de terror e sofrimento, foi forçada a anos de cativo, sem esperança. Mesmo tendo encontrado a sua liberdade, estará ela realmente livre? Irá ela conseguir viver num mundo onde os monstros de verdade existem? Ou será que o Alec Brenner a conseguirá salvar de seus demónios?Uma promessa foi tudo o que ela pediu. Mas não era uma promessa qualquer. Será o Alec capaz de cumprir o prometido? Mesmo que isto signifique perder a Beth para sempre?
4*

4 comentários:

  1. Obrigada por esta crítica fantástica.
    Fiquem atentos à minha página do Facebook,que irá trazer novidades em breve.

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  2. Fiquei agora um bocado dividida com a tua opinião, não sei se é um livro que vou querer ou não ler.

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