16 de agosto de 2016

Opinião Contemporânea/New Adult: "Nunca Sem Ti" de Bruno Seruca



Nunca Sem Ti é uma das primeiras obras portuguesas que o Algodão Doce para o Cérebro decidiu aceitar e começar a incentivar de forma mais activa os autores nacionais. Graças ao contacto do autor Bruno Seruca proporcionou-se esta leitura.
Em relação à escrita, Bruno Seruca tem uma forma de escrever muito romântica e pitoresca. Para pessoas leigas e pouco "profissionais" nesta área o que eu posso dizer é que me fez lembrar os livros de Mário Zambujal, onde há uma descrição dos acontecimentos quase teatral.
Parágrafos dentro de uma cena fizeram-me um pouco de confusão, tal como nos diálogos ter dois parágrafos seguidos com a fala do mesmo personagem. Quando se lê o nosso cérebro regista que a seguir vai falar outra pessoa, o que não acontece, e por isso muitas vezes tive que reler porque me baralhei. De qualquer forma, a história em si torna pormenores assim menos significativos, mas há sempre ali uma interrupção
Por falar em secundários, personagens destes é o que não existe, cingindo-se a história apenas ao casal principal, Alexandra e Miguel. Temos o namorado de Alexandra, mas é só referido, não tem papel em nada.
Os diálogos também são demasiado eloquentes. Penso que por muito instruídos e educados, o uso de palavras caras entre dois jovens que se conhecem desde a infância torna tudo menos real. Nota-se que o autor faz um esforço por escrever bem, mas nos diálogos acaba por se tornar algo forçado e torna tudo menos fluído. De qualquer forma, tudo se cinge aos encontros no café, que são bastante rápidos, ou pelos menos as cenas que nos são apresentadas são pouco descritas.
Outro aspecto que não gostei são as explicações de certas coisas, p.e., para que é que o leitor quer saber quem foi o vendedor do carro de Miguel? Ou porque é que o Miguel pede a água gelada com o café, mesmo no Inverno? Estas poucas palavras, para mim, mostram a inexperiência do autor, mas com uma re-leitura e numa próxima obra é facilmente corrigível.
A acção vai-se desenvolvendo facilmente, recheada de clichés e muito drama, com direito a lágrimas e personagens à chuva, ao estilo de "Morangos com Açúcar" que acabam por tornar o romance mais YA e menos NA.
O final é algo bastante rápido, e tem de tudo. O autor poderia separado e aproveitado alguns pontos desta parte final da história para tentar "render o peixe" mas sem palha. Não vou dizer que na vida real tudo aquilo não acontece, porque acontece, mas isto é uma história que se reflecte num livro que está a ser lido por alguém que gosta de histórias mais longas, melhor aproveitadas. Não sei se é o primeiro livro do autor, pelo menos publicado, mas se é nota-se imenso.
É, portanto, um romance de poucas páginas mas também de poucos conhecimentos e desenvolvimentos. Lê-se de forma rápida, mas devido ao vocabulário usado temos que estar com mais atenção.

Ele é apenas um ano mais velho que ela. Cresceram juntos. E passaram toda a juventude na vida um do outro. Diziam-se namorados e faziam juras de amor eterno.
Até ao momento em que ele foi para a universidade. A partir daí tudo mudou. Disseram um ao outro que afinal nunca se amaram. Agora ela tem namorado. Ele tem amigas, o nome que dá às mulheres com quem se relaciona mas por quem nunca se apaixona. Cruzam-se ocasionalmente no café que ambos frequentam. Até ao dia em que ela aparece sem o namorado. E tudo volta a mudar.
Ela é a Alexandra, ele o Miguel.

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