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Opinião Young-Adult/Sobrenatural: "Herdeira de Fogo" de Sarah J. Maas

fevereiro 17, 2016 Inês Santos 0 Comments



- Spoilers - 

Depois de uma separação pouco emotiva, na minha opinião, aqui começa a nova etapa de vida da nossa protagonista. Começamos com uma protagonista preguiçosa, bêbada e esfomeada... e eu a pensar que ia encontrá-la a ser recebida pelos fundos, mas vestida com os vestidos que ela tanto gosta. Afinal foi tudo exactamente ao contrário.
Tal como no volume dois, aqui também há uma troca de parceiros, apesar deste não ser amoroso. Celaena agora tem um novo amigo e pouco fala ou pensa em Chaol ou em Dorian. O que é um pouco estranho, porque apesar da personagem feminina ser muito independente acaba por ser demasiado desligada com quem teve tão grandes ligações, e isso já tínhamos visto no segundo em relação ao que ela teve com Dorian no primeiro livro. Quem resta, como sempre, é só mesmo Nehemia e o tal Sam que nem chegamos a conhecer!
Conhecemos sim os semi-feéricos, feéricos e os monstros destes. O que vale é que por melhor que a nossa heroína seja, quando avança de "nível" (ou seja de livro) as suas qualidades nunca são suficientes, por isso Sarah J. Maas lá a mete a treinar, a aprender, a sangrar, a quase morrer, etc. A sorte é que ainda há quem a ajude, neste caso o nosso mais recente amigo Rowan, com a sua tatuagem no rosto e o seu cabelo prateado.
Apesar de fisicamente não serem parecidos, achei as personalidades muito semelhantes entre Rowan e o Chaol. As maiores diferenças é talvez o passado de cada um e o facto de Rowan estar preso pelo sangue a Maeve, a outra vilã da história, facto este que serve de déjà vú para histórias de fantasia semelhantes. A "re-ligação" que é feita no final acaba por ser mais um ponto a esclarecer, espero eu, nos próximos livros, visto que já que não há ali uma ligação amorosa e Rowan continua mandão como sempre, não estou a ver grande uso para Celaena. Se ele já faz parte da corte dela para quê ligarem-se pelo sangue?
Outro acontecimento a esclarecer - afinal Celaena tem ou não o segundo poder?
Neste livro ela mal se encontra com o vilão e a autora manteve-a na ignorância dos outros acontecimentos todos, o que a tornou, infelizmente, numa personagem quase secundária. Isso para mim foi talvez o mais negativo deste terceiro volume, sem contar com a primeira metade tão monótona, porque o que nos agarra a esta história é Celaena e as suas batalhas e relações. Assim, a autora só nos dá breves excertos dela. Ainda por cima, agora com a magia, acaba por ser como abanar um chocolate ou um saco de gomas à frente desta gulosa e depois escondê-lo, e depois mostrá-lo e depois... ok, já perceberam a ideia e a minha angústia. Sim, o primo também serviu um bocadinho para tapar o "buraquinho do estomâgo" e o romance de Dorian também, mas depois Chaol começa a parecer menos perfeito, menos corajoso, mais esquecido pela nossa heroína, e o que nos resta? Personagens novas com protagonismo a mais, acontecimentos mais emocionantes que duram menos de um capítulo e um final cheio de pontos de interrogação! Sarah má, não se faz!
Por outro lado, fiquei surpreendida com a revelação já no final de Sorscha! Quem diria, hein? Enganou-nos bem... Mas depois o fim dela acaba por ser tão repentino e ainda por cima Dorian não reagiu a ela mas só à ameaça em direcção a Chaol? Ok, ou a autora não tem a certeza do que quer a nível amoroso, ou então não percebe nada da coisa. Que raio de sentimentos são aqueles? E já falei do que ela fez à relação de Celaena e Chaol que até filhos iam ter, se pudessem? Ou seja, o que eu mais gosto de ler para além da acção são os momentos de amor ou os finais felizes e aqui não tenho nem um nem outro. Tenho só vilões aos montes, bons que afinal não são assim tão bons, bons que são covardes até à última hora e bons que são covardes quase até ao último momento.
Talvez o único que presta seja mesmo Dorian que esteve sempre tão à sombra, mas que durante este terceiro livro se foi revelando cada vez melhor, ultrapassando até o próprio Chaol a nível psicológico.
Em relação a Manon e ao seu séquito, espero que haja um objectivo para lhes dar tanto ênfase. Todo este protagonismo a personagens secundárias baralhou-me, mas estou com esperança que no próximo livro tudo se explique, e por isto é que acabei por dar a classificação que dei.
O final é bastante mais intenso que os outros dois, o que foi bom, pois acaba por compensar a primeira metade (ou um bocadinho mais) de história sem grandes flutuações, como disse antes e no Ponto de Situação.
A situação das alterações dos POV's amenizou um pouco, passando a ser um capítulo, para alternar de dois em dois. Ou seja, quase igual.


Celaena ressurge das cinzas ainda mais forte e letal. E parte em uma jornada em busca de uma obscura verdade: uma informação sobre sua herança e seus antepassados que pode mudar sua vida e o futuro de dois reinos para sempre. Enquanto isso, forças sinistras começam a despontar no horizonte e têm planos malignos para dominar o seu mundo. Agora, depende de Celaena encontrar coragem para enfrentar tais perigos, além de seus próprios demónios, e fazer a escolha mais difícil da sua vida.

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