3 de outubro de 2013

Opinião Contemporânea: "Irresistível" de Jessica Bird

Opinião do 1º livro aqui

Sendo este o sexto livro que leio da autora, e digo isto referindo-a como Jessica Bird e não como J.R.Ward (este heterónimo [sim porque Jessica Bird é o verdadeiro nome da autora] ainda só tive a oportunidade de ler os dois primeiros livros da Irmandade da Adaga Negra e não fiquei fã) este foi o que menos gostei. Nos livros restantes, apesar de todos serem romances contemporâneos, havia sempre algo a acontecer, mesmo que fosse um mistério fraquinho como aconteceu em "Diz-me quem és". Neste livro, não só o plot não se centra em algo que promete culminar e revelar algo súbito  (alguém se surpreendeu com a revelação do quadro?É que eu adivinhei logo o que ia acontecer antes de chegar à página 100), como o livro é previsível  e a autora divaga e as personagens andam de um lado para o outro entre jantares, apresentações e conversas com pouco interesse para a história. 

Irresistível (An Unforgettable Lady #2)A Callie é aborrecida e tendo já alguma informação sobre o passado desta (pelo livro Diz-me quem és) o seu historial familiar pouco me interessou. Jack passou um pouco despercebido e dentro do cenário onde a maioria da acção ocorre, na casa de Buona Furtona as personagens que ainda se safaram foram a mãe de Jack e o cão. Nada a apontar contra eles, gostei sempre das suas aparições, apesar de a mãe de Jack ser uma coisinha desprezível.

O romance foi tão morno que sinceramente nunca achei que a Callie e o Jack tivessem grande química, embora esteja num registo mais contemporâneo, fiquei um pouco decepcionada, pois do que li da autora, os casais sempre me pareceram minimamente convincentes. Aqui achei-os um pouco apagados e aborrecidos, simplesmente não consegui criar empatia suficiente para olhá-los de outra forma. Gostei dos desentendimentos entre eles, deram algum ritmo à história que tão entediante se tornara. 

Claro que o que mais gostei foi todo o processo de restauro do quadro. Primeiro fiquei muito surpreendida com a escolha do artista. Copley não é nenhum Monet, Vang Gogh ou Picasso. Dentro do mundo da História da Arte geral passa um pouco despercebido e confesso que a sua obra era-me totalmente desconhecida. Achei muito positivo a autora ter apostado neste pintor e não em nenhum dos outros grandes mestres desta época. Foi com grande atenção que li as páginas que falavam do restauro e fiquei agradada com o que li. Não só a autora mostrou aqui alguma pesquisa (básica), mas pelo menos esta estava correcta e sem grandes exageros. Deu para visualizar as tarefas de restauro e gostei mesmo de ler estas cenas, não aprendi nada pois são conhecimentos que já tinha obtido mas foi bom relembrar estes procedimentos. Como referi acima não foi nenhuma surpresa o que realmente encontrou-se no quadro, eu achei muito previsível e tal e qual como imaginei a cena da descoberta, tal e qual esta aconteceu. Parecia que até tinha sido eu a escrever o livro. :D

Claro que se realmente tivesse eu a escrever o livro, metia alguém a roubar o quadro, a raptar a Callie e o Jack armado em herói a salvá-la no fim! Teria sido muito mais giro e teria havido um maior suspense e realmente um culminar de acção que não se deu aqui.

Foi uma leitura aprazível, gostei imenso da aparição de antigas personagens, principalmente o Nate, irmão de Jack, que tem um livro só para ele (publicado pela Harlequin com o título "O Legado de Moorehouse") e cuja história já tive o prazer de ler e é uma das minhas favoritas. Não sei se a Quinta Essência terá oportunidade de lançá-la neste formato de livro único, visto que já fui publicada em português (mesmo como romance de banca). Os direitos de autor por vezes são complicados de definir, esperemos por alguma informação por parte da editora. Por falar em editora, não poderia deixar de referir a urticária que algumas frases me criaram. Eu não sou tradutora, e nem de perto tenho conhecimentos suficientes sobre tradução mas ainda consigo ver e saber o significado das palavras e de frases. Deixo aqui apenas um apontamento, que quanto a mim está mal traduzido (e obrigou-me a baixar o ebook em inglês para perceber o que raio estava a querer dizer!):

Página 118/119:
"(...) relembrou uma das coisas que o professor Melzer lhe incumbira. Quando vemos pegadas de cascos, não convém pensar logo em zebras."

Primeiro...coisas. O que é que a autora quis dizer com coisas? Pelo verbo que se segue "incumbir"-que significa dar ou atribuir uma tarefa - partimos então do pressuposto que o professor lhe dera uma coisa (seja lá qual for). Mas a seguinte frase não faz qualquer sentido com a anterior, porque pasmem-se, é um provérbio/ditado popular (que eu desconhecia e até tive de perguntar a uma colega blogger, a p7 do Bookeater/Booklover qual era a expressão em português, porque isto parecia-me traduzido muito à letra). A expressão existe sim em português, mas na minha opinião o tradutor podia tê-la trabalhado melhor. Mesmo assim a escolha do verbo e do nome coisas não é a mais correcta. Ficaria muito melhor: (...) relembrou um dos lemas que o professor Melzer lhe ensinara." por exemplo.

Findado este pequeno detalhe,quanto a mim prefiro esta vertente mais romântica e contemporânea da autora e se tiverem oportunidade leiam as restantes histórias. Algumas são um pouco difíceis de encontrar mas valem muito a pena. 



An Irresistible Bachelor (An Unforgettable Lady #2)Título Original - An Irresistible Bachelor
Edição - Setembro 2012
ISBN - 9789897260810







3 comentários:

  1. Olá, este livro chamou-me a atenção mas eu tenho uma dúvida, é um romance erótico?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá =)

      Não, não tem nada de erótico.

      Eliminar
    2. Obrigada pela resposta rápida :)
      Ainda bem, porque não é a minha praia hehe
      Já agora, parabéns pelo blog :) (adoro algodão doce :P )
      CriArte a Ler

      Eliminar

Dar feedback a um post sabe melhor que morangos com natas e topping de chocolate!