10 de julho de 2013

Opinião Contemporânea: "Encontras-me no fim do mundo" de Nicolas Barreau



O carimbo na contracapa afirma que quem gostou do livro anterior, "O Sorriso das Mulheres" vai gostar deste. Bem comigo não aconteceu isso, porque eu não gostei nada da primeira obra do autor mas gostei bastante deste - "Encontras-me no fim do mundo".

Encontras-me no Fim do MundoNicolas Barreau leva-nos novamente à cidade do amor, Paris. Filosofando sobre as emoções e sentimentos que o amor provoca nas pessoas, o autor alemão através de uma narrativa fluída, mostra como por vezes vemos apenas a superfície das coisas, numa visão limitada composta por aquilo que queremos ver. É esta a história entre Jean-Luc e a sua amada.

A partir de uma primeira carta anónima, os protagonistas tornam-se peões num jogo de faz de conta. Mas à medida que vão-se conhecendo melhor, Jean Luc apercebe-se que a arte de seduzir uma mulher tem muito que se lhe diga e que não será assim tão fácil descobrir a identidade da sua Principessa.

Embora esta correspondência de cartas entre dois desconhecidos não me seja nova, já tinha lido "Quando o vento sopra"  do Daniel Glattauer, Barreau conseguiu dar uma envolvência mais profunda que o seu conterrâneo.

Gostei da trama principal, das cartas enviadas, de como o livro seguiu o rumo que seguiu, ambas as personagens mostravam vontade e desejo de se conhecerem pessoalmente sem terem aquele receio patético de a cara metade ser uma desilusão, face às expectativas que iam construindo. Embora tenha gostado deste ponto, confesso, mais uma vez que esta dependência no desconhecido, naquilo que é estranho a nós faz-me confusão, especialmente quando se entra na vida íntima da outrem, quando se trocam juras de amor, quando o que temos é apenas um pequeno vislumbre do que a pessoa possa ser, e não de tudo o que ela é na realidade.

Quanto às histórias paralelas, gostei bastante obviamente de todas as referências artísticas, desde o cão se chamar Cézanne, aos ataques de Soleil, sem dúvida a minha personagem preferida, que com todas as suas indecisões quanto ao seu papel como artista até aos seus bonecos de vodu feitos de pão, me arrancaram  verdadeiras gargalhadas. Bem dizem que os artistas são loucos, e Soleil comprovou mesmo isso.

Não sendo uma leitura excepcional, o livro tem os seus pontos positivos, faz-nos pensar que muitas vezes o que queremos está mesmo à nossa frente, apenas temos de olhar através de outro ângulo.

Achei que o fim careceu de emoção e foi bastante apressado e até um pouco cliché, mas não deixa de ser um livro romântico que nos faz pensar em alguma coisa. Recomendo. 





Du findest mich am Ende der WeltTítulo Original: Du findest mich am Ende der WeltEdição: Março 2013
IBSN: 9789897260513

4 comentários:

  1. Eu agora nem sei se quero ler o Sorriso das mulheres. :P
    A trama principal eu gostei se bem que tambem me faz confusão a maneira como se entregavam, mas é um livro pronto sejam felizes hihi
    Adorei como te disse o resto o ambiente e isso. E sim aquele fim era porque nao havia mais papel....

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  2. Ahhh e eu a pensar que Nicolas era francês, deve ter sido por a primeira obra se passar em França... e pelos vistos esta também. O que tu me ensinas LOL

    Apesar de a ideia das cartas entre desconhecidos não me cativaram minimamente (mesmo tendo gostado do 5º livro de Julia Quinn onde acontece isso mesmo), gostei da moral que referiste no penúltimo paragrafo da tua opinião.

    Sinceramente não gostei mesmo nada do Sorriso das Mulheres, mas pelo que li aqui, talvez deva insistir nas obras de Nicolas.

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    1. Nop é da terra da Merkel ahah

      Eu tmb não gostei nada mas este escapa e realmente ensina aquilo que disse no penúltimo parágrafo :P

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  3. Adorei este livro ....muito lindo. Aconselho!
    Beijocas;)
    Boas leituras.

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