30 de junho de 2013

Opinião Contemporânea: "O Maior amor do mundo" de Seré Prince Halverson



Qual será o maior amor? O de mãe biológica ou adoptiva?

É esta questão e tantas outras que Seré Prince Halverson aborda em "O maior amor do mundo" publicado pela Porto Editora em Abril. Reconheço que não tinha muitas expectativas quanto ao livro. Avisaram-me para não o ler se tivesse as hormonas aos saltos e que o livro é tocante e dá que pensar. Hmm acabo por concordar em certa parte. Talvez por não ser mãe este livro não me tenha tocado assim tanto e acho que a autora podia ter ido muito mais longe. 

O Maior Amor do MundoComeçando logo pela estrutura do livro. Se o livro é sobre o amor de duas mães, de qual dos dois prevalece na educação e criação de duas crianças, acho que no mínimo o livro devia ter os pontos de vista tanto da Ella como da Paige, a mãe biológica. O que senti durante o livro, é que o leitor tem a tendência de gostar mais da Ella e ficar do lado desta personagem, porque é ela que narra o livro todo. As razões do abandono das crianças por parte de Paige são-nos dadas através de cartas mas acabamos por nunca conhecer bem a personagem. Senti que faltou caracterização e desenvolvimento.

À medida que acção se vai desenrolando o tema central divide-se em várias ramagens como por exemplo o luto de Joe, a violência infantil e essencialmente a depressão pós-parto, que para mim foi um tema bastante bem retratado. Sendo que o livro situa-se em 1993 e nos anos anteriores, a autora soube mostrar bem como diversas patologias psicológicas podem destruir uma família e como, ainda hoje há tantos casos de medicina ainda por descobrir. 

Quanto às personagens secundárias, essencialmente os familiares de Joe e de Ella, não tenho quase nada a apontar. Estiveram nos momentos certos, a mostrar o seu apoio sem se intrometerem demasiado no caso judicial mas admito que a história da família de Joe não me convenceu de maneira nenhuma, e mais valia a autora nem ter introduzido. Teria gostado muito mais se advogada de Ella tivesse um papel mais interventivo, ou seja gostaria de ter lido o seu ponto de vista. Num caso tão sentimental como este, em que muitas vezes a lei é uma coisa, mas o senso comum é outra, seria interessante ter uma perspectiva judicial. Foi pena a autora não ter optado por diferentes pontos de vista.

Claramente adorei a pequena Annie e o Zach e gostei como a autora fê-los gostar das duas mães e de como eles sabiam o que se estava a passar. Penso que é importante não esconder às crianças do que se passa, normalmente quando elas são a causa principal. 

Em último, tenho de dizer que achei a escrita da autora um pouco difícil, carece de fluidez na narrativa. Quanto à tradução nada a apontar mas encontrei alguns erros de digitação que deveria ter sido corrigidos na revisão.

Resumindo, eu gostei do livro, realmente faz-nos pensar mas achei que a autora arriscou pouco. Por exemplo, se o livro tivesse sido escrito por exemplo pela Jodi Picoult, tenho quase a certeza que seria muito melhor, não só porque teria os tais pontos de vista que eram importantes aqui, como pela própria construção do enredo e das personagens. Mesmo assim é um livro que merece ser lido, principalmente por mães. 


                                      
The Underside of JoyTítulo Original: The Underside of joy
Edição: Abril 2013
ISBN: 978-972-0-04586-7

3 comentários:

  1. Ando com imensa curiosidade em volta deste livro, mas fiquei surpresa com a pontuação que deste, pensava que fosse um livro fantástico.

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  2. Pode ser para ti ;)

    Para mim foi comme çi comme ça :/

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