25 de março de 2013

Opinião Contemporânea: "A Princesa Guerreira" de Barbara Erskine



Tal como li na opinião de alguém recentemente, ao longo do livro comecei a gostar mais da história do Passado do que da do Presente. Esta dualidade entre dois espaços temporais já não é uma novidade no mundo literário e por isso a originalidade acabou por não estar presente e por isso não contribuir positivamente para o livro.
Penso que Barbara Erskine prejudica a obra com aspectos tão básicos como os diálogos e as relações e ligações entre certas personagens. Tanto os diálogos como personagens como Jess ou Dan tornam-se um pouco forçados e mal desenvolvidos, tal como os acontecimentos em que estão envolvidos... que são muitos.
Por outro lado, a história de Eigon é muito mais fluída. Os cenários estão muito bem descritos, tal como os encontros e desencontros. Não percebi, por isso, o porquê da divergência a nível de escrita e de conteúdo nos dois tempos, visto que a autora só é uma.
Os pontos mais positivos para mim foram a linguagem eloquente e rica, a abundância de cultura e referências tanto romanas, como italianas e latinas, e os maravilhosos cenários romanos.
Quase nas últimas páginas há um acontecimento que discordo particularmente: quando os corpos de Commios e Drusilla são enterrados como se fossem um casal (e a escritora pressiona bastante este ponto) quando até à sua morte não houve nenhum acto ou referência romântica em relação a estas duas personagens. Sim, Drusilla estava apaixonada por Commios, mas isso não os torna um casal, visto que o sentimento era unidireccional. E este facto é bastante claro no último terço do livro.
A prisão de Dan também me pareceu muito abstracta e não concordei com a ausência dessa cena, visto que Barbara Erskine lhe deu tanto protagonismo ao longo de toda a obra.
Achei também o número de mortes um pouco exageradas, como se a autora não soubesse o destino a dar-lhes e por isso eliminava-as assim. Mais uma vez a falta de originalidade está presente.
Além do "desaparecimento" das personagens há também a questão do entrar em cena de algumas. Isto é, personagens como a mãe de Jess, Mega, Meryn e Gort, são exemplos de personagens que surgiram mais ou menos como que "caídas do céu", para além do seu contributo para a história ser quase nulo, ou para servir só, como as mortes referidas anteriormente, como meios para "resolver" certas situações. No caso de Meryn é evidente que só foi criada pela autora para ele encontrar Jess, que por sua vez também tinha desaparecido de repente e sem qualquer contexto. São por isso personagens que surgem quase ou mesmo no finalo para forçar um desenlace e um final, o que destrói, a meu ver, o desenrolar natural da história.
O título é outro assunto que me intriga, visto que supostamente se refere a Eigon, por ser a única princesa, mas esta não é nem de longe guerreira. É sim uma heroína que tem sorte nos acasos e que neste caso é em muito ajudada pelo seu Deus, apesar de todas as tragédias em que se vê envolvida.
Concluindo, a base d'A Princesa Guerreira é bastante boa e incomum, mas é diluída nas falhas tanto a nível da construção de diálogos como do mistério e suspense que a escritora tenta criar.

No limiar entre o sonho e a vigília, a loucura e a clarividência, duas mulheres separadas por dois mil anos de História partilham o mesmo segredo, nas encruzilhadas e labirintos de uma perseguição milenar.
Jess, professora em Londres, é vítima de um ataque de que não consegue recordar-se. Tudo indica que o agressor é um homem que a conhece bem. Assombrada pelo medo e pela suspeita, Jess refugia-se na casa isolada da irmã, na fronteira do País de Gales. O silêncio que procura é, porém, interrompido pelo choro de uma misteriosa criança.
A casa, a floresta que a cerca e o vale mais abaixo transportam ecos de uma grande batalha, travada dois mil anos antes. Ali caiu Caratacus, liderando a resistência das tribos da Britânia aos invasores romanos. O rei foi capturado e levado para Roma como prisioneiro, juntamente com a mulher e com a filha, a princesa Eigon.
Sentindo-se impelida a investigar a história de Eigon, Jess segue os seus passos até à Roma de Cláudio e de Nero, onde a princesa assistiu ao grande incêndio, presenciou a perseguição movida aos cristãos e privou com o apóstolo Pedro. Aqui, talvez o mistério da extraordinária vida de Eigon se desvende, ou Jess se abandone progressivamente à sua obsessão, arriscando uma proximidade crescente com o seu agressor. 

The Warrior's PrincessTítulo Original - The Warrior's Princess
Edição - Março 2011
ISBN - 9789896571139







3 comentários:

  1. Concordo contigo em tudo o que disseste. Já li este livro há um bom tempo, no ano passado ou há dois anos, mas lembro-me que foi uma leitura muito confusa, com uma ligação entre as duas partes do livro muito estranha. E realmente as pessoas morriam sem parar! Foi uma leitura deveras estranhas :S
    Beijinho

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  2. Também já li este livro faz tempo, e concordo com tufo, foi um daqueles livros que odeiei e que me parecia tão bonito.

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