15 de março de 2013

Opinião Contemporânea: "Dama de Espadas" de Mário Zambujal


Ler o Dama de Espadas é como estar numa taberna, a meia-luz, a ouvir um homem ansião a contar uma das suas histórias de jovem, ou de alguém que conheceu nos seus tempos.

Uma história pobre em pormenores, de resolução rápida, com linguagem "portuguesa quase brasileira" (com algum brasileirismo pelo meio), mas com bastante humor e pensamentos típicos do sexo masculino.

Achei a personagem principal bastante cómica, tal como as restantes personagens, fazendo o seu papel de "louco" muito bem.

Senti a ausência de descrições mais personalizados e em maior número. Apesar da maior parte das cenas ter lugar em solo português, muitas vezes o escritor não especifica locais ou edifícios, referindo apenas a cidade, o que torna o meio envolvente muito abstracto e vago - dificultando-nos assim um envolvimento mais próximo do acontecimento.

De qualquer maneira, os diálogos são dinâmicos e divertidos, tal como as divagações da personagem principal.

Achei que o último terço do livro foi bastante apressado. O escritor podia ter desenvolvido tanto a cena da investigação como o desenvolvimento do par Filipe/Eva.

Como primeiro livro do escritor gostei. E como primeiro livro da editora, tenho a dizer que gostei da ideia dos excertos no inicio de cada capítulo. Claro que atrasa um pouco a leitura, mas é sem dúvida diferente e original.

Concluindo, é um livro fácil e rápido de ler, apesar das figuras de estilo, em que soltamos umas risadas e outras muitas exclamações.

Com o seu admirável ritmo narrativo e clareza de escrita salpicada de humor, Mário Zambujal apresenta-nos Eva Teresa, garota de onze anos, e Filipe, rapaz de dezoito, que namora com a irmã, Rosália. Há uma grande empatia entre a pequena e o futuro cunhado, mas a vida afasta-os com a viagem da família para o Brasil. Eva torna-se mulher e Filipe acaba por se apaixonar por ela, levando-o a viajar ao seu encontro. Entre episódios imprevisíveis que enlaçam mistério e comicidade, ambos só se reencontram em Sintra onde iniciam um romance atribulado.
No seu estilo inconfundível, Mário Zambujal traz-nos uma obra em que se aliam a vontade de saborear cada passo da trama e o prazer da leitura.

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