29 de dezembro de 2012

Opinião Histórica: "A Aia da Rainha" de Barbara Kyle


Ler o A Aia da Rainha veio confirmar e realçar o meu gosto pelos romances históricos. Barbara Kyle é uma óptima contadora de história, principalmente se esta contiver muitos factos reais.
Começando pela capa, com o genial pormenor do anel, e pela sinopse, um pouco infiel ao livro, somos conquistados desde o primeiro olhar ao exemplar. O conteúdo vem apenas mostrar-nos que não nos enganámos e que cada segundo a ler estas linhas não foi tempo desperdiçado.
Todo o texto é rico em figuras de estilo, comparações, frases profundas e cheias de sentido de humor ou verdade nua e crua. Aqui a escritora não poupa sensibilidades, mostrando-nos a natureza humana sem floreados ou com palavras bonitas, contando-nos com pormenor todos os actos mortais que os homens faziam uns aos outros (desde a fogueira, a guerras e conquistas, ou até a decapitações e enforcamentos).
O teor religioso e a evolução da personagem principal Honor Larke, principalmente as suas últimas crenças e conclusões, contribuíram para rechear ainda mais. Aqui neste livro não há a chamada "palha" ou "conversa de chacha", há sim história, línguas, literatura, música, e, principalmente, ensinamentos de moral, coragem, solidariedade e amor. A acção e a aventura estão também presentes em todos os capítulos, combatendo a monotonia que certos assuntos poderiam provocar.
O meu personagem preferido é, com certeza, Sam Jinner: carinhoso, corajoso, humilde, simples, fiel, ... conquistou-me logo na primeira cena em que aparece. Este é o ponto mais positivo de Barbara Kyle, o facto de todas as personagens estarem tão bem desenvolvidas, cada uma com uma personalidade distinta, com crenças e desejos que se cruzam, mas que ao mesmo tempo são opostas. Aqui todas elas actuam com segundas intenções, que são boas ou más consoante o personagem. Todas sofrem uma evolução, não tanto como a personagem principal. Estas alterações, estes pormenores e desenvolvimentos contribuem para que o leitor odeie uma metade e defenda outra.
Mas nem tudo são rosas.
Os saltos no tempo demasiado drásticos, acabando abruptamente algumas cenas com mais carga emocional, parecendo que a personagem principal esquece assuntos importantes demasiado rápido, lacunas na história/pontos mal limados que são deixados em aberto como o destino final do anel, do rei, da rainha-mãe, da filha de Honor, de Ana Bolena, de Erasmo, etc. Acredito que muitos destes serão esclarecidos no próximo volume.

Na melhor tradição de Philippa Gregory, chega-nos agora um apaixonante romance histórico situado no tempo de Henrique VIII. Londres, 1527. Casar ou servir: Para Honor Larke, a escolha é clara: Pouco disposta a morrer de tédio como esposa obediente, ela deixa a casa do seu tutor, o brilhante sir Thomas More, e torna-se aia da rainha Catarina de Aragão. Um cargo onde aprenderá muita coisa, dado que terá de conviver com o orgulho, a paixão, a ganância, e ainda a consciência de um rei, que anseia desesperadamente pelo divórcio, a fim de poder casar-se com a ousada Ana Bolena. Honor aia e fiel amiga de Catarina de Aragão não pode compactuar com o ultraje que é feito à rainha e voluntaria-se para ser portadora de cartas desta para os seus aliados. No meio desta intriga palaciana Honor fica subitamente na posse de um segredo que pode destruir um reino e a sua futura rainha…





Título Original - The Queen's Lady
Edição - Fevereiro 2010
ISBN - 9789896570583




3 comentários:

  1. mais um livro para a minha lista de desejos :)

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  2. Gosto muito deste tipo de livro histórico sobre rainhas mas ainda não conheço a autora.

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