25 de junho de 2016

Opinião Policial: "As Raparigas Esquecidas" de Sara Blaedel




Depois do sucesso estrondante de "A Rapariga do Comboio" a Topseller decide novamente apostar num novo thriller, desta vez de uma autora europeia e ao contrário de Paula Hawkins, numa autora com já obra publicada. Embora desconhecida do público português, Sara Blaedel chega-nos a Portugal pela mão de um exemplar de avanço que me deixou curiosa com o que prometia. Afinal queria saber quem é a rainha dinamarquesa do thriller e que trunfos mostraria nesta primeira tradução em português. 

Embora seja o primeiro livro lançado cá, é o sétimo de uma série homónima do nome da protagonista: Louise Rick. Simultaneamente é o 1º livro de uma trilogia e portanto embora tenha torcido o nariz aquando do conhecimento de ser um volume avançado numa série, também entendo a jogada de começar a publicação por este. Parece que funcionou bem pois poderemos contar com a publicação do volume seguinte (o 2º da trilogia) num futuro próximo.

Dentro de todos os ramos da literatura de ficção, a vertente policial/thriller é talvez aquela a que dou menos destaque nas minhas leituras mas também é verdade que a pouco e pouco tenho vindo a descobrir bons autores deste género e Sara Blaedel é mais um a juntar-se ao rol.

Na minha esfera pessoal como leitora, um dos ingredientes principais num livro e principalmente numa série é a sua protagonista, e embora haja fios soltos na vida pessoal e profissional de Louise Rick, que certamente teríamos resposta com a leitura do volumes anteriores, esta investigadora do departamento de pessoas desaparecidas revelou-se uma boa figura principal. As características da sua personalidade e os seus fantasmas do passado fizeram recordar-me outra investigadora de uma série muito popular da concorrência, a Eve Dallas. Voltando à Louise, embora percebamos que é já uma mulher com uma longa vida, é também neste livro que  personagem entra numa nova etapa a nível profissional e acaba por ser interessante continuar a acompanhar a jornada de Louise neste novo departamento com o seu novo parceiro. Contudo senti muita falta de informação no background familiar e desejei mais cenas entre a Louise e o filho adotivo mas espero que nos próximos volumes poderemos acompanhar melhor a relação entre mãe e filho. Quanto ao resto do núcleo secundário, Eik pareceu-me também uma personagem interessante mas também com os seus próprios problemas por resolver. 

Sendo um thriller, é normal que a carga psicológica seja mais forte e embora não me tenha chocado com os crimes em si, confesso que fiquei sensibilizada e ligeiramente perturbada com algumas passagens do livro, especialmente nos relatos de como os doentes mentais tornavam-se pessoas esquecidas, e aí a alusão ao título do livro. Ler em como os pais são instigados a esquecer os seus próprios filhos, em como lhes é pedido para se afastarem das suas vidas e em como são privados de contacto com os seus primogénitos, acho que é de perturbar qualquer um. Ainda na secção do crime, gostei de como todos os casos acabaram por formar-se na mesma teia de crimes, acabando por estar todos interligados. A autora deu espaço a cada crime e soube ligar bem todos estes aspectos. 

Sem qualquer dúvida uma boa aposta da Topseller e agora é aguardar pelo próximo volume para ver que casos trará Louise Rick de volta às prateleiras portuguesas. 

Numa floresta da Dinamarca, um guarda-florestal encontra o corpo de uma mulher. Marcada por uma cicatriz no rosto, a sua identificação deveria ser fácil, mas ninguém comunicou o seu desaparecimento e não existem registos acerca desta mulher.Passam-se quatro dias e a agente da polícia Louise Rick, chefe do Departamento de Pessoas Desaparecidas, continua sem qualquer pista. É então que decide publicar uma fotografia da misteriosa mulher. Os resultados não tardam. Agnete Eskildsen telefona para Louise afirmando reconhecer a mulher da fotografia, identificando-a como sendo Lisemette, uma das «raparigas esquecidas» de Eliselund, antiga instituição estatal para doentes mentais onde trabalhara anos antes.Mas, quando Louise consulta os arquivos de Eliselund, descobre segredos terríveis, e a investigação ganha contornos perturbadores à medida que novos crimes são cometidos na mesma floresta. Através de uma narrativa envolvente, vertiginosa e de forte impacto emocional, Sara Blædel não deixa o leitor descansar enquanto não chegar ao fim do livro.


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