11 de outubro de 2013

Opinião Erótica: "Pede-me o que quiseres" de Megan Maxwell


Dizem que é um sucesso em Espanha. E no Brasil. Dizem que a autora tem um clube de fãs ferrenhas. E dizem que é um bom livro.

“Pede-me o que quiseres” 1º volume da trilogia erótica com o mesmo nome, chega-nos pela mão da Planeta a um mercado já saturado deste género. Mas dizem que este é diferente, sem tabus, para-se ler de mente aberta e sem receios, que choca, tanto que vem acompanhado de um autocolante a desaconselhá-lo a menores de 18 anos. Acredito que este autocolante seja uma estratégia de marketing para produzir o efeito contrário, pois toda a gente sabe que o fruto proibido é o mais apetecido e suscita mais curiosidade e vontade seja de ler/ver/experimentar o que for.

Começando pelo óbvio: este livro não tem enredo. Não tem história, não tem uma finalidade, a não ser o despertar da sexualidade da protagonista a Judith. Confesso que o li apenas por curiosidade, pois no país vizinho o livro criou um burburinho imenso que me deixou com a pulga atrás da orelha.

Mesmo sem uma história convincente, normalmente os eróticos prendem por alguma razão ou não estivessem tanto na moda e não vendessem tão bem. A mim costumam-me chamar a atenção pelas personagens e pela própria relação do casal. Contado na primeira pessoa é inevitável não criar uma relação positiva ou negativa com Judith. Vemos toda a história através do seu ponto de vista e a impressão com que fiquei é que Judith consegue ser pior que a Anastasia Steele, embora, graças a Deus, não seja virgem. Para mim a Judith é um reflexo da autora e metades das trapalhadas de Judith pareceram-me autobiográficas, não achei-as minimamente engraçadas nem cómicas, aliás só me irritaram. Posto esta primeira impressão negativa com a protagonista, que só piora à medida que o livro avança, levando-a a atitudes completamente bipolares e sem nexo, é-nos apresentado Eric, que não me agradou nem um bocadinho. Podem falar tudo o que quiserem do Grey mas ao menos ele gostava da Anastasia e sentia-se alguma coisa de amor entre eles. Aqui o Eric, aparece completamente desprovido de sentimentos a não ser o desejo de ter Judith a todo o custo e trata-a como se fosse sua escrava. Não há qualquer romance por parte dele para com ela, ao contrário da Judith que cada vez mais envolvida e iludida, morre de amores por ele.

Esta foi uma das minhas principais razões para não ter gostado do livro. Como disse acima, se não há uma história credível, ao menos que a relação entre as personagens (mesmo sendo só de desejo e luxúria) que seja alguma coisa de jeito. Tal não aconteceu aqui, a relação de um para com o outro é totalmente desigual e sem sentido. Não consegui engolir esta relação, não senti nem química nem romance nenhum entre os dois. Sinceramente ainda pensei que houvesse um pouco de romantismo, aliado ao sexo mas todas as cenas que o livro apresenta não têm nem um pingo de romance.

Quando dizem que as cenas são fortes não posso discordar, sim são. Aqui entra-se no mundo do swing, de  
ménages, de sexo puro e duro onde o desejo e a luxúria falam mais alto e o sexo torna-se um vício e uma necessidade. Se me chocaram? Nem um pouco. Ou melhor minto, chocou-me algumas cenas estarem mal escritas e acabarem mais depressa do que começaram. Chocou-me a atitude da Judith em aceitar cegamente tudo o que o Eric lhe pedia, cada vez mais absorvida por este mundo com regras e caprichos próprios. Não fiquei surpreendida por ver estas práticas, algumas delas um pouco bizarras no livro, já tinha lido cenas semelhantes e acho que a autora faltou um pouco de requinte na descrição das cenas, algumas pareceram-me mesmo forçadas e não consensuais.

As personagens secundárias estão lá mas são inexistentes e de todas acho que a minha preferida foi o gato da Judith. Não fala nem faz nada e não me causou qualquer irritação. ^.^

Aliado aos pontos negativos já apresentados vem talvez aquilo que acho pior em todos o livro: a escrita. Ok, o livro não tem história, ok as personagens são más mas a escrita podia ser aprazível. Completamente errado.

Do original espanhol (a autora é espanhola) algumas partes do livro parecera-me um pouco histéricas, especialmente as cenas da família da Judith. A escrita é terrível, do género em por exemplo alguém perguntar à protagonista se está com medo de algo e ela responde: “Nãããããããããããããão.” Tal e qual como eu escrevi. Isto repete-se em várias palavras como “Hmmmmmmmmm”, “Delííííííííííííííícia” e “Obrigadaaaaaaaa”. Ora eu também sou capaz de escrever algumas palavras assim em sms ou em chats, em conversa com amigos, mas lá está não sou escritora e acho que este uso das palavras não foi o mais acertado no livro. Eu não preciso de ler várias palavras com letras repetidas para perceber que a Judith estava a dar ênfase ao que estava a dizer. Sinceramente parecia uma adolescente a falar (para combinar com as atitudes) e este uso recorrente irritou-me profundamente. 

Concluindo, “Pede-me o que quiseres” é um livro com demasiadas falhas e nada de positivo. Podia ter mais romance, podia ter menos discussões, podia ter uma protagonista mais matura e adulta, podia ter algum aspecto positivo. Mas não tem, e esse é o problema. Obviamente, nem vou ler os livros seguintes.



Pídeme lo que quieras (Pídeme lo que quieras, #1)Título Original: Pídeme lo que quieras
Edição: Outubro 2013







10 comentários:

  1. Oi Mafi,
    Nem li esse livro na integra só algumas partes, e sinceramente me decepcionei demais com esse livro, esperava tanto, já li um livro anterior dessa autora, e nunca na minha vida, imaginei que ela escreveria essa porcaria, não sei se no Brasil foi tão sucesso assim, acredito que só um livro a mais, de protagonista sem personalidade, que aceita tudo de cara pervertido, bonito e rico =P.
    Cansei, e concordo com vc, não tem nada consensual, entre eles, e romantismo nenhum.
    Bjs

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    1. Oi Paty!
      Ah mas a editora daqui está a vendê-lo como um grande sucesso em Espanha e no Brasil. O livro é horrível u__u
      Ah também cansei..de todos os eróticos, os que pretendo continuar é os da Eve Berlin e o SECRET, foi os que realmente gostei...! vc já leu?

      beijinhoos!

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    2. Oi Mafi!,
      Ainda não li, não só muito fã do gênero erótico, as vezes leio, muito mais pela minha veia masoquista do que realmente por gostar rsrs, mas lançou aqui um livro chamado Cretino Irresistível que adorei, dizem que ele é erótico e tem uma pitada de sarcasmo, apesar de considerarem eu não achei ele muito erótico não, mas vou continuar acompanhando a serie dele Beautiful Bastard. E to louca para ler o livro A proposta que vc fez resenha.
      Bjs

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    3. Paty também sou assim, não sou propriamente fã mas gosto de ler eheh :D

      Esse ainda não li mas agora fiquei com curiosidade!

      A proposta é lindo, lindo, lindo! adorei!

      beijinhoos

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  2. Mafi na tradução a Planeta não fez esses disparates de Nãããããããooooo e deliiiiiiiiiiiiiiiicia etc etc, aliás a tradução parece-me excelente.

    Eu adorei o livro já te disse e acho super engraçado como duas pessoas conseguem ver o mesmo livro de forma tão diferente. ;)

    beijinhos fofa

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    1. as traduções da Planeta são sempre excelentes ^-^

      :) kiss

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  3. Olá, Mafi :)
    Estou a ler este livro presentemente. Nem fazes ideia do que me tenho rido com ele e as piadas que tenho feito. Como já deves saber, o género erótico, para mim, só vale para isso: para me rir. Já desde as 50 Sombras que assim é. Levo no gozo e divirto-me com a "história", que, ao fim e ao cabo, é sempre a mesma, ou seja: não há história!

    1- Cenas de sexo muito escaldantes? Muito fortes? LOL... Não acho nada! Se é para ser erótico, que seja erótico, já que se utilizam palavras como f.... e tesão, que se usem as outras ao consoante! LOOOL... Mas qual pénis? Vagina? Clitóris? Mas isto é suposto ser um romance erótico ou um manual de ginecologia?? Muito soft, se é para ser um romance erótico.

    2- Eu se fosse homem espanhol tinha-me revoltado com este livro! Então uma autora espanhola, numa história passada em Espanha, vai ter que ir buscar um alemão para ser o grande garanhão? Não senhor! O grande machão devia ser um macho latino! .... Sei que nessa altura nem haveria tempo para espaços nem para vírgulas, mas há que ser realista... É que se assim é Iceman, se fosse um macho ibérico, tinha que ser Fireman... Ainda por cima, o desgraçado do Fernando, que é espanhol, é mais fraquinho que o Eric, que é alemão? Nonsense e uma afronta para o macho ibérico!

    3 - Está decidido: Só volto a ler um livro erótico quando o protagonista for um português! Aí é que era! Eheheheh... Sangue latino, é sangue latino e mai nada! Ao menos que a autora tivesse usado um macho espanhol (pronto, não precisava ser o Enrique Iglésias, esse é excepção!)

    4 - Invariável: os gajos têm que ser sempre ricos e bem dotados! Será que um desgraçado que seja pobre até no meio das pernas tem que ser pobre? Omessa! Não vale!

    Falando um pouco mais a sério, também não me agrada o registo escrito.... Acho que nunca tinha lido um romance em que se usasse o "Nãããõ" ..."Huuuuuuum"... Se é inovação, não valeu (pelo menos, para mim).

    As personagens são iguais a todas do género: ela é a menina que, virgem ou não, não é assim lá muito experiente e tem tido experiências muito banais... Ele é o machão que gosta de perversidade, sempre com algo que esconde e que, afinal, justifica atitudes anormais que tem... Nada de novo...

    O facto da irmã da Judith, Raquel, ter começado, de repente, a ter uma vida sexual muito agitada não tem qualquer justificação... Aparece do nada...

    Enfim, ponto positivo (atenção que estou a ser irónica): se é para ser um romance erótico, que seja logo de início! Assim mêmo é ké! Começou logo nas primeiras páginas com o Miguel e a chefe! Agora, estar um leitor 100 ou 200 páginas à espera que as coisas aqueçam, quando, afinal, sempre não há mais nada de interessante para saber! Pronto, é a latina! Mas o gajo ser alemão estraga tudo :)

    Eh pah... Não se trabalha naquela empresa? Chiça! Aquilo é um a ver se te avias!

    Vou, vou terminar, que já me fartei de rir só de escrever este comentário... LOOL

    kiss ;)

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    1. Ahaha e eu ri-me a lê-lo! tens razão em algumas coisas, se é para ser erótico que comece logo mas é por isso que gosto mais de romances sensuais e não eróticos (o despoletar da sexualidade assim do nada não me convence em alguns casos) e aqui não me convenceu visto que depois as coisas não são coerentes.

      Também me lembro de pensar nisso, nunca se trabalhava ali, mas nós já sabemos que os espanhóis andam sempre em fiesta looool em vários tipos de festa hihih

      fico à espera para ver o que achas dos seguintes livros, se os leres!

      beijinhoo

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    2. Ai, Mafi, por favor... Eu sei que às vezes sou uma gaja chata, mas não me desejes tanto mal! Já acabar este me está a custar, achas que ainda vou conseguir ler os outros dois? Livraaaaa! (ai, que apanhei o vírus!).... Para graça uma vez basta! Ainda me faltam quase 100 páginas e está a ser um martírio.... Já nem me consigo rir, porque já ri tudo...

      Eu acho que as autoras destes livros sabem que por esta fase da história muita gente começa a ficar enjoada, tanto que é por esta altura que começam a aparecer os pequenos pontos de (tentativas de) interesse, que são sempre os mesmos: segredos do passado, relacionados com a família ou doença... Ou, quando se trata mesmo do pior de tudo, as duas coisas ao mesmo tempo... LOL... Assim, o leitor sempre vai lendo...

      Está jurado: só volto a ler um livro deste género quando o protagonista for um homem português, de preferência alentejano ou algarvio-serrenho! Ou então, uma segunda hipótese: quando a coisa "virar ao contrário", ou seja, quando for uma mulher rica e poderosa, a dominar um rapazito jovem, tímido, inexperiente... Até lá, já sei que é como se tivesse lido tudo!

      :)

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  4. Ainda tenho de desenvolver a minha opinião e dei 2*, mas ya, concordo contigo :P pá, existe alguma história (mal desenvolvida, concedo, mas tinha tanto por onde pegar, fonix, e para a quantidade de sexo que o livro tem... enfim)

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