20 de setembro de 2017

Opinião Contemporânea: ''Nada'' de Janne Teller




''Nada'' é um pequeno livro (tanto a versão original como portuguesa andam pelas 150 páginas) que foi lançado recentemente pela Bertrand e que li o início deste mês. 

Foto de Crónicas de uma Leitora.Pelo que pesquisei e entendi, o livro é original da Dinamarca, sendo a autora dinamarquesa e já foi lançado há uns anos. Foi muito polémico no seu país e restantes países nórdicos, foi banido mas depois ganhou imensos prémios, foi novamente reimpresso e agora é de leitura obrigatória na escola.

''Nada'' começa com Pierre, um jovem que está totalmente desmoralizado da vida e do querer viver. Percebe que se vamos todos morrer porque é que havemos de viver. A vida não vale a pena, para ele NADA vale a pena. Por isso decide subir a uma árvore e por lá ficar, pregando esta sua nova filosofia a quem queira e não queira ouvir.

Quem não concorda com ele, são os seus colegas de turma, que acham que Pierre endoideceu e por isso decidem provar-lhe que a vida tem um significado e que sim, vale a pena viver. A maneira que encontram para mostrar os significados pelo quais valem a pena viver, é cada um escolher algo que goste muito e que tenha de sacrificar em prol deste bem maior. Esta teia de significados começa com coisas simples, nomeadamente objectos pessoais mas à medida em que cada um desafia o outro a arriscar cada vez mais, a teia de significados começa a ser cada vez mais perigosa e macabra, envolvendo animais de estimação, cabelo e até objectos valiosos.

Este livro é um exemplo que o tamanho não influencia o conteúdo pois em 150 páginas, fiquei perturbada. Entendo perfeitamente porque é que foi banido. É um livro polémico, que desafia a moralidade e incita a que reflictamos sobre a nossa vida, sobre o que realmente vale a pena, sobre aquilo que gostamos, aquilo que não nos importaríamos de deixar.
O rumo que a pilha de significados toma é perigoso e mórbido mas realmente deixa-nos a pensar. O curioso do livro é que ele não nos é narrado pelo Pierre, mas sim pela Agnes, uma rapariga do grupo da pilha dos significados e é interessante ver o que ela acha que seja moral ou imoral, à medida que os colegas vão-se desafiando uns aos outros. Há também outra personagem a quem dado algum destaque - a Sophie - e os restantes personagens do grupo também são bastante diversos em etnias e na religião, criando aqui mais controvérsia.

Não dá para falar muito sem revelar tudo mas posso dizer que o livro não é nada previsível, nunca sabemos o que vai acontecer, porque parece não haver limites. Só fiquei um pouco em dúvida com o livro, porque aqui é falado que estão no 7º ano de escolaridade. Não sei se o 7º ano na Dinamarca é o mesmo que cá, mas para mim, quem está no 7º ano é uma criança, quanto muito um pré-adolescente, como são chamados agora. O facto de serem crianças, ainda dá uma aura de maior horror ao livro, pois aqui são descritas cenas mesmo macabras. Eu nem dúvido que crianças desta idade possam fazer algo assim, pois hoje em dia são tão confrontadas com violência na televisão e na internet, que tenho a certeza que isto poderia acontecer. Mas há cenas tão gráficas que fiquei um pouco na dúvida na idade da protagonista e dos restantes.
Sei que vai dividir opiniões mas eu achei-o mediano. Percebi a ideia da autora mas não quero dizer que tenha gostado do rumo que o livro levou. Mesmo assim aconselho.


Fortemente comparado a O Senhor das Moscas, Nada é um livro bastante polémico, chocante e que convida à reflexão.
Pierre Anton acha que nada vale a pena, a vida não tem sentido. Desde o momento em que nascemos, começamos a morrer. A vida não vale a pena! O rapaz deixa a sala de aula, sobe a uma ameixieira e lá fica. Os amigos tentam fazer de tudo para o tirar de lá, mas nada resulta. Decidem então pôr em prática um plano: fazer uma «pilha de significado».
Mas cada um começa a desafiar os outros para que faça sacrifícios cada vez mais sérios e à medida que as exigências se tornam mais radicais, tudo aquilo toma uma dimensão mórbida e os acontecimentos precipitam-se para um final arrasador. E se, depois de todos aqueles sacrifícios, a pilha continuar a não ser capaz de fazer descer Pierre Anton?

 

1 comentário:

  1. Fiquei interessadissima! Gostei da opinião e gostei do que entrevi do livro. Vai já para a wishlist.

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