18 de agosto de 2016

Compilação Contemporânea/Erótica: "A Rapariga do Calendário - Livros 1 e 2" de Audrey Carlan




[Spoilers, mas poucos]

Em vez de irmos por partes, a melhor forma de comentarmos estes livros é indo por meses. Como já repararam na capa de cada livro estão três meses que são pequenas histórias. Cada livro tem então três aventuras da nossa Mia Saunders, a acompanhante de luxo com problemas familiares, financeiros e relacionais.
Na primeira compilação tanto Mia como nós somos apresentadas a Wes, o surfista; a Alec, o pintor francês; e a Anthony Fasano. Na segunda compilação temos Mason, Tai (que não é o cliente mas é o mais predominante) e Warren. Somos também apresentadas ao que a personagem feminina vai ter que passar de mês para mês e o que ela pode controlar e optar e no que não pode.
Também ficamos a conhecer o seu ex, a sua irmã, a sua melhor amiga, a sua tia e o seu pai. Ponto positivo para Audrey Carlan que decidiu que a maior parte destas personagens iriam acompanhar a nossa acompanhante ao longo do seu percurso, de forma directa ou indirecta.
A sua relação com a irmã, que continuará ao longo dos restantes meses, é mais semelhante ao de mãe-filha, mas sendo de mãe ausente visto que Mia está quase todo o mês ocupada noutras vidas. Assim, a melhor amiga acaba por quase ocupar esse lugar, sendo posteriormente substituída por outra pessoa, também fora da família. Apesar de a autora nos tentar descrever tudo como necessário e impossível de ser de outra forma, aqui a negligência é óbvia e o aparecimento da terceira pessoa é algo forçada e não me convence minimamente.
O mesmo com a sua melhor amiga. A amizade é um pouco unilateral visto que Mia é uma jovem mulher ocupada 24h por dia que só consegue mesmo ligar de vez em quando. Se calhar se fizesse menos sexo com os seus clientes tivesse mais tempo vago para isso. E assim chegamos a outro ponto. O tempo! O tempo aqui nestas obras passa num instante e muitas horas são um buraco negro que a autora não descreve, salta por cima passando à frente. Claro que não queremos saber o que as personagens fazem minuto a minuto, mas fiquei com esta ideia que Mia não tem tempo para nada, mas quando não está ocupada com o seu cliente, seja na cama ou fora dela, há ali muita hora que poderia estar a fazer outra coisa qualquer, visto que os seus clientes também eles são muito ocupados. Nalguns meses há uma terceira pessoa que a leva às compras e aí a situação está semi-resolvida, mas de resto... Mas mais uma vez, é também algo bom, visto que se a cada mês fosse tudo descrito exaustivamente talvez não fossem tão viciantes e esta volatilidade seria perdida.
Por falar em volatilidade, o oposto também acontece. E é aqui nestes opostos que encontramos quando olhamos de longe às várias obras que encontramos o maior ponto positivo que apaga assim a questão do excesso de sexo (era o que diziam numa opinião que li). Pessoalmente não acho que seja assim tão excessivo. Temos que ter noção que isto é um romance erótico, por isso tem que ter sexo. E se este estiver ausente nalgum mês vamos sentir a sua ausência o que não é bom e o romance deixaria de ser classificado dessa forma. Assim, a autora, em maior ou menor quantidade, vai descrevendo de maneira bastante sexy as várias situações cheias de erotismo.
Aqui entra também a questão dos nomes dos órgãos sexuais. Como não tive acesso imediato ao livro em Português, tomei a liberdade de começar a ler a edição brasileira, cujos adjectivos e nomes mesmo sexuais me pareceram mais limpos. Em Português achei a linguagem mais ordinária, no mau sentido, e acho que a tradução poderia ter encontrado nomes igualmente chamativos e realistas. Esta diferença entre a tradução brasileira e a portuguesa já tinha sido comentada por mim na opinião da Alvorada Vermelha.
Voltando a Mia e aos seus clientes, mesmo depois de ter terminado o segundo livro, e portanto de ter lido seis meses de acontecimentos, posso afirmar com toda a clareza que o meu preferido foi mesmo o primeiro. Wes é um personagem masculino tão bom como alguns que encontramos mais à frente, mas é que nos marca mais e não só a nós. Este vai-se manter constante e surgir para "tapar buracos" de várias formas (piada para quem já leu), já quando não há sexo com o cliente há sexo de outras maneiras...
Alec surge em Fevereiro e adorei-o como artista, e aqui tenho que bater palmas à autora porque as suas descrições são tão boas que vemos as telas mesmo à nossa frente (é a sua melhor característica sem dúvida), mas como cliente detestei-o. Primeiro porque veio estragar aquela névoa de satisfação e prazer com que ficamos com Janeiro. Depois, porque nos mostra uma Mia mais supérflua, já que qualquer corpinho bem feito é bom para lhe saltar para cima, o que estraga a nossa/minha primeira ideia dela, mas que também a torna mais real. De qualquer maneira esta Mia de Fevereiro é a que se vai manter, havendo melhorias claro, mas nunca voltando à personagem feminina que apenas se vende (a sua presença e o seu tempo) e se entrega (o seu corpo) por dinheiro para ajudar a família e salvar o seu pai. Também neste mês houve uma cena que detestei que foi quando Alec junta Mia a outro modelo para as suas fotos. Mostrou que ali é tudo muito etéreo e o que interessa são sempre os valores pré-contratação. Em contrapartida, Alec também nos ensina, incluindo Mia, as várias formas de amor e de amar, e este ensinamento vai-nos surgir mais à frente o que melhora, e muito, a continuidade desta história, havendo sempre, senão uma ponte entre meses, mas ao menos memórias ou até personagens que vão surgindo.
Março foi de facto o mês mais diferente do Livro 1. Pessoalmente foi o que gostei menos, não pela escassez do sexo, mas sim porque parece que quando a escritora não tem os momentos eróticos para descrever, investe no dramatismo e na "lamechice". O excesso destes últimos pontos tornaram o mês muito menos cativante, mas que nos dá uma ideia que todos os meses vão ser uma caixinha de surpresa em relação às personalidades do personagens que estão incluídos no destino de Mia Saunders. Mas nem tudo é assim tão mau, e este foi um dos meses/cliente que mais contribuiu para aumentar o leque de amigos(as)/conhecidos(as) de Mia, e portanto de personagens secundárias que até agora eram algo escassas.
Fechando a contra capa, pousando o livro de lado e pegando no próximo vamos ter ao meu segundo personagem masculino preferido desta saga. Mason nem sempre foi o meu segundo mais querido; ele só se torna mesmo o meu herói em Junho, mas isso são outras histórias que falaremos mais lá para a frente. Aqui vamos ter algo parecido ao que lemos em Março, mas diferente também. Vai ser um mês de suspiros e que nos encherá a imaginação e trará água para a nossa boca. Coloquem os babetes meninas e preparem-se para salivar!
Seguindo em frente, falemos de Maio. Maio aqui por estes lados foi escaldante e fofo ao mesmo tempo. Desta vez temos modelos mas a Mia quis estar com ele e não foi pouco, eheh! Podem esperar por um final feliz e que não vai ficar só por aí. Este mês é principalmente sobre o sexo, mas o facto de certas meninas irem passar alguns dias com a protagonista deu um toque diferente em relação ao Passado.
Por fim, Junho. Ora este mês foi até agora o mais complexo. Tem semelhanças com Abril e Maio, mas a segunda metade é que lhe deu aumentou o valor. Janeiro é o meu mês preferido pelo protagonista masculino, mas se não fosse por isso seria Junho. Este mês trouxe a Mia felicidade e muita tristeza, vemo-la mais frágil, mas é esta fragilidade e é a visita de outros personagens que tornaram toda a história rica em acontecimentos. Mason é o herói aqui e não Wes e eu fiquei a adorá-lo quando antes só lhe achava piada. Tai Niko também vai surgir e vai ser o meu herói número dois.
Mia Saunders é uma personagem que terá etapas, escolhas e provas. Mas o que mais me marcou como leitora foras as prioridades dela e foi aí que ela cresceu aos meus olhos e deixou de ser só a maníaca por sexo. Entendam-me... ela continua a sê-lo, mas ela é muito mais. O facto de estar rodeada de homens bonitos faz-nos invejá-la, mas depois quando ela "acorda" ou surge mais algum desenvolvimento na vida pessoal dela deixamos de o fazer.
São dois livros, seis histórias, que cativam cada um à sua maneira, mas não se enganem vão devorá-los de forma igual.

Bom apetite!

Sexo, amor e segredos.  Uma história que a fará sonhar.
Mia Saunders precisa de dinheiro. De muito dinheiro. Tem um ano para pagar ao agiota que ameaça a vida do pai e exige o reembolso de uma enorme dívida de jogo. Um milhão de dólares para ser exacto.
A sua missão é simples: trabalhar como acompanhante de luxo para a empresa da tia, com sede em Los Angeles, e pagar mensalmente uma parte da dívida. Passar um mês com um homem rico, com o qual não é obrigada a ir para a cama se não quiser. Dinheiro fácil.
Infeliz no amor e com um espírito que não verga, a curvilínea morena amante de motas tem um plano: entrar no jogo, conseguir o dinheiro e voltar a sair. Parte do plano é manter o coração fechado a sete chaves e os olhos no objectivo.Pelo menos é como espera que corra.
Doze meses em que conhecerá o luxo, doze homens com doze estilos de vida, doze cidades diferentes, experiências sexuais e o amor da sua vida.
A jornada de Mia Saunders, acompanhante por força das circunstâncias, continua neste segundo volume de A Rapariga do Calendário! Nos três meses que se seguem, Mia viaja para Boston, Oahu e Washington DC.
Em Abril, faz-se passar pela namorada do mulherengo Mason Murphy, um jogador de basebol profissional que precisa de melhorar a sua imagem, e acaba por descobrir que ele não é exactamente aquilo de que estava à espera.
Maio encontra Mia a incendiar o sangue de Tai Niko, modelo fotográfico e intérprete da dança do fogo samoano, enquanto participa numa campanha publicitária que tem como objectivo demonstrar que a beleza não é uma questão de tamanho.
Em Junho, a missão de Mia é servir de enfeite de braço a Warren Shipley, membro do grupo conhecido como Um por Cento. Enquanto finge ser uma caçadora de fortunas, descobre que Warren tem de facto um coração de ouro. Pena é que o atraente filho, Aaron, senador pela Califórnia, não seja em nada parecido com o pai.

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